Köszönöm Budapeste
A participação em intercâmbios escolares com países estrangeiros reveste-se sempre de alguma ansiedade, não só pela responsabilidade que acarreta como também pela obrigação de proteger os alunos.
Os laços afetivos que se estabelecem entre os elementos envolvidos (neste caso portugueses e húngaros) são sempre uma recompensa para o professor e, sem dúvida, a melhor recordação que trago do intercâmbio com a escola Bokay János em Budapeste.
Evidentemente não estaria a ser sincera se não referisse outros momentos especiais tais como a visita ao Museu do Holocausto, que relembra as atrocidades cometidas contra o povo judeu, em particular os judeus húngaros, durante a II Guerra Mundial; a vista magnífica sobre a cidade e as pontes do rio Danúbio quando nos encontramos no Castelo de Buda; a beleza dos edifícios (alguns a necessitar de obras de restauro); o som dos violinos; as roupas coloridas envergadas por senhoras de etnia cigana e as palavras longas e com estranhas sequências de letras.
A atividade de voluntariado desenvolvida numa creche e que consistiu em interpretar canções de Natal portuguesas, também se refletiu de um caráter muito especial, tendo em conta que se tratavam de crianças que não entendem a nossa língua e que pareciam estar felizes por nos ouvir cantar. Em seguida foram as crianças húngaras que nos presentearam com uma canção de Natal e outra em Inglês. No final, oferecemos guloseimas que as deixaram ainda mais alegres!
Os nossos alunos tiveram ainda oportunidade de elaborar cartazes com o intuito de sensibilizar a comunidade escolar húngara para atividades de voluntariado.
Em termos gastronómicos sublinho a variedade de pimentos picantes (arriscaria mesmo a chamar-lhes “pimentos vulcânicos”!) e a pastelaria com tartes de frutas que fazem esquecer qualquer dieta! Destaco ainda as casas de gengibre inspiradas no conto infantil Hansel e Gretel, da autoria dos irmãos Grimm, que fazem as delícias de qualquer criança.
Em Budapeste abundam ainda espaços para convívio muito peculiares como os Ruin Bars (já comentados por uma das nossas alunas num intercâmbio anterior e muito improváveis em qualquer cidade portuguesa) e restaurantes com “alma” bastante acessíveis, dos quais destaco o restaurante “For Sale”.
Foi uma semana de trabalho intensa mas na última noite ainda houve energia para a festa de despedida, onde não faltaram a boa disposição, música e pizzas com 50 cm de diâmetro! A única coisa que faltou foi a neve.
Quando regressei, alguém me perguntou: “Tanto trabalho e afinal o que é que lucraste com isso?”.
Estranhei a pergunta mas a resposta era óbvia. O que ganhei com esta experiência foi conhecer um grupo de alunos simpático, educado, responsável e motivado para participar nas atividades que lhes foram proporcionadas. Ganhei ainda pelo facto de trabalhar com professores com muitas qualidades humanas e profissionais.
E por tudo isto… Köszönöm Budapeste.
Ana Paula Noválio
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